Report do Neopop
Aqui estou eu, descansado dois dias depois do último dia do Neopop e fresco para um report a destacar o bom e o mau que merece ser referido.
A meteorologia esteve perfeita para o Festival: alguns momentos de frescura num momento ou outro, uma brisa aqui e acolá mas no geral não houve grande momento de incómodo por demasiado ou pouco calor. Houve até uma sintonia muito bonita entre o set de James Holden e o nascer do sol, abrilhantado com todo o cenário que envolve o recinto do festival mas quanto a isso, já lá vamos.
Quanto ao festival, primeiramente destaco o design que o envolveu: achei a imagem vistosa o suficiente e o tema de uma “pandemia” muito bem explorado. As pessoas do staff tinham até uma pulseira que escrevia “Warning: Person Infected”, entre outras frases que repetiam o que se via pelos cartazes e pelos spots publicitários.
Musicalmente no primeiro dia perdi algumas horas até ao set de Freshkitos: vi-o praticamente desde o início e manteve-me entre a pista e o bar mas não me pareceu o set que deveria ser tocado à hora que era e havia ali uma impressão de que Reboot estava ansioso por entrar, mantendo-se no palco ao lado dos djs que tocavam desde há um bom bocado. Quando este começou sentiu-se uma lufada de ar fresco: a entrada do live foi brilhante e poderosa a fazer esperar uma musicalidade que ia agarrar toda a gente mas que chegou ao ponto de ter dificuldades em consegui-lo, devido a alguns momentos musicais que não estavam de acordo com a maior parte da audiência que foi com uma ideia pré-estabelecida do live de Reboot.
Seguiu-se Joris Voorn e este também apresentou uma musicalidade vincada, embora mais ligeira e também bastante variada (não tão variada como reboot) passeando entre temas mais duros e outros bem melódicos. O fecho foi muito bom musicalmente e pareceu-me que Joris nem sequer avisou que ia acabar (ou entretanto acabou a horas e ninguém o esperava) e ao receber as palmas do público, aplaudiu de volta mas voltando-se para James Holden como se estivesse à espera de o ver tocar. Holden correu surpreendido para o palco e houve ali uns momentos de silêncio musical que levaram os olhos todos para o inglês que tentava à pressa voltar a trazer a música ao festival. Arrancou ligeiro, suave e confuso para alguns: até ao nascer do sol, James ainda estava nos preparativos para a viagem até disparar com um edit próprio de uma pérola antiga dos Boards Of Canada. A partir daí Holden perdeu metade das cabeças atentas pois havia uma expectativa de que Holden ia ser Techno cerrado para fechar o festival mas felizmente havia ali público que sabia para o que ia e que gozava de um prazer do qual eu partilhava também. Foi um set hipnotizante com um nascer do sol esplêndido a acompanhar, proporcionando a todos um dos momentos mais bonitos do festival. Por infelicidade, perdeu muito devido a questões técnicas com o PA mas sinto que quando saí do recinto ia com um grande sermão que me apetecia pregar também.
Segundo dia tive a felicidade de conseguir estar desde o inicio. Manu foi grande abertura, não o via há dois anos e foi uma boa surpresa ver que teve o espaço para apresentar um set de musicalidade variada. Portou-se bem, dos nomes portugueses a destacar embora por costumes cá da terra, estivesse a tocar para mim e para o staff dos bares.
Seguiu-se Hedonic2 que me decepcionou: vi David Rodrigues no Insólito há alguns meses e esperava algo do género mas foi talvez demasiado preenchido com uma musicalidade repetitiva, talvez para dar espaço à voz de um dos membros.
Re:axis era dos nomes que também estava desejoso por ver no festival inteiro: grande grande live-act, com toda a certeza a melhor prestação nacional no festival. Minimal cheio e assombroso com uma produção de muito bom nível. Foi a primeira prestação do palco que vi receber tamanho entusiasmo nas palmas, tanto da audiência como de Paul Ritch que se seguia. Este fez um live poderoso, a lembrar o techno clássico; no entanto não apresentava nada de novo e talvez até se estivesse a repetir demasiado. Fez-me dançar mas a minha consciência “musical” já começava a ligar o alerta de que talvez as músicas estivessem já a começar a soar à mesma que a anterior…
Audion teve uma bela entrada: sujinho e distorcido, enquanto finalmente por duas horas nos libertava do VJ set dos Dub Video Connection que esteve aborrecidíssimo, apresentando os seus próprios visuais psicadélicos. Foi um bom live mas não correspondeu às expectativas que reservava de Matthew Dear. Groovy, duro e sujo no entanto, o suficiente para querer manter os pés a dançar.
Seguiu-se o português Expander que tecnicamente me aborreceu. Todo aquele “tira o grave, volta a meter” parecia pouco estudado e demasiado constante, quase sem respeitar a música e as suas quebras, o que criava ali momentos de falta de frequências que na realidade o PA tinha em exagero!
Seguiu-se Alex Under que se manteve bruto e groovy mas muito reservado em palco. Foi uma das prestações que perdeu bastante com questões relacionadas com o PA mas manteve o público bem colado à sua música, tendo a delicadeza até de não deixar o público (que o manteve repleto de aplausos) sem um belo encore. Live de quase nota máxima, sendo que não a leva devido às condições acústicas e ao meu cansaço.
Terceiro dia lá tive outro atraso: tinha-me esquecido do bilhete no sítio onde estava a ficar durante esses dias que era a 5km dali. Quando finalmente lá consegui ir, voltei de novo sem bilhete e ainda perdi mais uns momentos para a compra de um bilhete para um só dia.
Acabei por perder Poupa e Miguel Rendeiro mas cheguei no inicio de Magazino. Surpreendeu-me (tal como muito nessa noite) depois de o ver no Gare e de não ter gostado muito. Prestação nacional de qualidade também a destacar, tecnicamente variado e de musicalidade bem sólida.
Seguiu-se o primeiro nome internacional da noite que me deixou boquiaberto: Paul Kalkbrenner. Depois de gradualmente ir perdendo o entusiasmo na música deste, eis que o live me deixou muito confortável na única noite em que o céu esteve coberto, deixando o estaleiro por trás com um ar meio assombroso. Techno do bonito que fez falta durante todo o festival e que infelizmente não teve o tempo que quis que tivesse quando acabou. Guy Gerber seguiu-se mais minimal com as suas melodias aqui e ali. Musicalmente muito fluído mas que me passou bastante ao lado, descendo gradualmente até entrarem os Wighnomy Brothers, nome de fecho do festival.
Ora, relativamente a estes senhores a minha opinião é capaz de se ter desenvolvido na minha cabeça de forma muito confusa. Mais que dj’s, pareceu-me que na realidade os irmãos são é entertainers. Desde taralhoquices em palco aos trambolhões na mesa de mistura deu para perceber que a coisa esteve difícil em palco mas muito animada. Muito bom feeling no entanto, foi dos sets que mais me puxou para a frente das colunas nessa noite, acabando com muito humor mesmo para uma despedida bem disposta.
Acabou assim o festival, último dia com direito a sorriso dos seguranças, presença da polícia para umas quantas rusgas que criou alguma tensão no ambiente e invasão da maquinaria logo às 10 da manhã na saída do recinto.
Novidades e brilharetes não musicais:
1 – A presença do “Check In”, um grupo de voluntários que ofereciam um serviço valiosíssimo no festival: testes às drogas! Nestes ambientes é muito difícil a restrição às drogas e percebendo isso torna-se importante e necessária a presença e ajuda de um grupo que testa tudo o que as pessoas queriam testar para segurança de quem consumia. Pessoal muito simpático, que oferecia todos os materiais necessários para um consumo seguro e higiénico, desde kits especiais a folhetos informativos e preservativos.
2 – Uma tenda redonda com cinema projectado! Durante as 3 noites a tenda oferecia um canto para muitos descansarem do bailarico em belos tapetes que teve até direito a trance na última noite. Tristemente, mal a tenda fechou, houve uma rusga da polícia.
Pontos aborrecidos:
1 – A água custava tanto como um copo de cerveja de 33cl: 2 euros! Acho que a água deveria ser uma excepção à entrada… Evitavam-se os golpes de calor que costumam acompanhar o consumo de álcool/drogas em relativas quantidades ou outro tipo de mau estar que seja, ou evitar gastos estrondosos por alguém que esteja doente no festival. Mais barata pelo menos!
2 – Algumas situações sanitárias.
3 – Os visuais muito fraquinhos!
Festival marcante no entanto para mim. Espero pelo próximo ano, desta vez a trazer entrevistas e alguns sets gravados no festival!
Até lá,
Ludovic
(queria colar aqui algumas fotos mas não encontro na net!)
Soundcloud group
We introduced a new way of listeners to upload their tracks to Omega 3 feature Electro-doméstico.It was created a group called Omega 3 on Soundcloud. If you have already heard about Soundcloud it will be very familir to you. Soundcloud is a powerfull way of sharing music. All you need to do is to register yourself and upload your tracks. That’s it. Pretty simple, pretty straight away. You also have the chance of promoting your tracks worldwide since this is a method being widely used at the moment for the world community.
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Posted: August 12th, 2009
at 1:30pm by admin
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